Thati Soares a Fantine de “Os Miseráveis” da Fazart, é a entrevistada especial do Cineplaneta esse mês

Nome completo: Thatiane Lages Soares
Nome Artista: Thati Soares
Idade: 30 anos
Nascida em: São Paulo
Redes sociais:
Instagram @thatisoares
Youtube: https://www.youtube.com/@thatianesoares4782
Thati, interpretar a Fantine foi descrito por você como uma das jornadas mais desafiadoras da sua carreira. Quais foram os maiores obstáculos nesse processo de construção da personagem?
Sem dúvida, o maior desafio foi lidar com a densidade da personagem e todas as camadas que ela carrega. Fantine exige muita entrega porque não estou apenas contando a história dela, mas de tantas mulheres marcadas pela violência e pelo julgamento.
Além disso, eu tinha um desafio pessoal enorme: antes dela eu não cantava, então para enfrentar um solo tão difícil só foi possível porque a Grazi Luz, Tatty Caldeira e Ludmilla Silveira acreditaram em mim, e exigiu muita coragem e muito apoio
Você mencionou que a Fantine representa tantas mulheres que sofreram violência e julgamento ao longo da história. Como foi para você carregar esse peso de responsabilidade em cena?
Foi denso e, ao mesmo tempo, uma missão. Desde o dia que a Grazi Luz me convidou para interpretar essa personagem, eu já senti que precisaria honrar essas histórias. Fantine está inserida em um contexto social de guerra, em uma sociedade machista, e infelizmente, mesmo tantos anos depois, ainda vivemos em uma realidade muito patriarcal em que a violência contra a mulher é muito presente. Carregar isso em cena foi a forma que encontrei de dar voz e dignidade a essas mulheres.

Ao falar sobre a construção da personagem, você disse que quis resgatar a dignidade de Fantine como um gesto de resistência. De que forma esse olhar pessoal sobre o feminino influenciou sua atuação?
Na construção, eu trouxe muito do que eu acredito sobre o feminino e sobre a resistência dessa mulher. Fantine, mesmo em meio a tanta dor, ainda é um símbolo de dignidade. Eu quis devolver isso a ela, como se fosse a minha forma de resistir junto com ela. Foi um olhar muito pessoal, um gesto de resgate, de devolver a essa mulher uma presença íntegra, mesmo no fim da sua trajetória.
Há um momento simbólico em que Fantine veste novamente o vestido arrancado e, no final, recebe de volta o cabelo e uma maquiagem serena. Como nasceu essa ideia de devolver à personagem sua imagem sagrada?
Essas foram escolhas muito conscientes. Eu quis que, em sua música solo, quando ela revisita a própria história antes de falecer, Fantine pudesse vestir novamente o vestido arrancado durante a violência. E no final, eu quis devolver a ela o cabelo que havia sido cortado para salvar a filha, além de uma maquiagem reconstruída e uma presença serena. Foi a forma que encontrei de imprimir o sagrado feminino que resiste e prevalece.

Você não tinha experiência em canto antes desse papel e ainda assim encarou um solo difícil. Como foi esse processo de aprendizado e superação?
Foi algo que antes que eu acreditasse que eu era capaz de fazer, a Grazi e a Tatty já acreditavam. Então, exigiu muita coragem do meu lado. Eu nunca havia cantado, e de repente me vi diante de um dos solos mais difíceis. E em todo processo eu tive a honra de contar com a Tatty Caldeira, que foi mais do que professora, foi uma incentivadora incrível. Ela acreditou em mim e me ajudou a atravessar esse desafio que parecia impossível. A gente vibrava juntas a cada conquista que fui tendo no processo.
Quem foram as pessoas fundamentais no seu preparo? Como essas parcerias artísticas contribuíram para moldar a sua Fantine?
Eu tive o apoio de pessoas fundamentais, cada uma teve um papel essencial. Tatty Caldeira me deu as ferramentas vocais e a confiança para cantar. A Ludmilla Silveira, além de construir coreografias sensíveis e bonitas, mesmo em contextos de dor, o que foi fundamental para o corpo da personagem, também foi aquela que me abraçava e me incentivava a continuar. E a nãk poderia deixar de citar a Kelly Diane me ajudou muito na construção da densidade corporal da Fantine, trazendo camadas importantes para a interpretação. Foi um privilégio ter essas mulheres ao meu lado.
Durante esse mergulho na personagem, houve algum momento ou ensaio específico que te marcou profundamente e que você levará para a vida?
Sim. Houve ensaios em que eu chorei, mergulhei em memórias e vivi cada detalhe da dor dessa mulher. Esses momentos de verdade, em que eu senti que não estava apenas atuando, mas realmente habitando a história da Fantine, foram os mais marcantes. São experiências que ficam no corpo e na alma
Você também destacou os paralelos entre a sociedade da época de Victor Hugo e a atual, especialmente em relação ao machismo e à violência contra a mulher. Como trazer esse contexto para a cena impacta o público hoje?
Acredito que impacta justamente porque é impossível não traçar esse paralelo. A obra mostra uma sociedade extremamente violenta e cruel com as mulheres, e, infelizmente, essa realidade ainda ecoa no presente. O público se depara com isso em cena e, de certa forma, é convocado a refletir sobre o quanto ainda precisamos avançar.
Fantine é um dos personagens mais emocionantes e trágicos de Os Miseráveis. Como você lidou emocionalmente com a intensidade e a dor que a personagem exige em cada apresentação?
Eu me entreguei com muita verdade e sempre buscando resgatar nela um gesto de dignidade. Eu quis olhar para a Fantine não só como uma vítima, mas como uma mulher que resiste até o fim. Foi intenso, doloroso, mas também profundamente transformador.
Depois dessa experiência tão transformadora, como você sente que a Fantine mudou a sua trajetória pessoal e profissional como atriz?
Fantine me transformou em todos os sentidos. Ela me deu coragem para cantar, me amadureceu ainda mais como atriz e me conectou ainda mais com o feminino e com a arte como um espaço de resistência. Eu saio dessa experiência muito agradecida por poder contar uma história que honra tantas mulheres, e convicta de que esse papel marcou a minha trajetória de forma muito especial.
Texto de Thati
Interpretar a Fantine foi uma das jornadas mais desafiadoras e transformadoras até esse momento da minha trajetória como atriz. Quando recebi o convite da Grazi Luz, a quem eu desde já agradeço pela confiança, para interpretar uma personagem como a Fantine já sabia que eu teria que mergulhar em um universo denso e que me exigiria muita dedicação devido as diversas camadas que essa personagem possui, e que eu estaria contando não só a história da Fantine, mas de tantas mulheres que tiveram suas histórias marcadas com tanta violência e julgamento, portanto, eu queria honrá-las.
Fantine está inserida em um contexto social de guerra, em uma sociedade machista e com um ambiente extremamente nefasto para uma mulher, especialmente uma mãe solteira. E, infelizmente, mesmo tantos anos depois, apesar de avanços, ainda vivemos em uma sociedade muito patriarcal em que a violência contra mulher continua sendo uma realidade muito presente, então é impossível não traçar esse paralelo entre o passado e os tempos atuais.
Na construção da personagem eu quis trazer um pouco do que eu, Thatiane, acredito e penso sobre o feminino e sobre a resistência dessa mulher. Portanto, trabalhei para resgatar a dignidade dela, no meio de tanta dor, como um gesto de resistência. Em sua música solo que ela conta sua história antes de falecer, ela veste novamente o vestido que foi arrancado durante a violência sofrida. E no final do enredo, fiz questão de devolver a ela o cabelo que foi cortado para salvar a filha, também uma maquiagem reconstruída e uma presença serena, pois queria que sua imagem final imprimisse o sagrado feminino que resiste e prevalece.
Além de todo peso da personagem, eu tive um desafio pessoal, pois antes dela eu não cantava, então enfrentar um solo tão difícil quanto o dela exigiu coragem e muito apoio. Tive a honra de contar com a Tatty Caldeira que foi mais do que minha professora de canto, mas uma incentivadora incrível. Na construção do corpo eu contei com o privilégio de ter a Ludmilla Silveira ao meu lado trazendo coreografias tão sensíveis e bonitas, mesmo com contextos de dor. E não poderia deixar de agradecer o processo com a Kelly Diane que me ajudou muito na construção da densidade corporal da Fantine para interpretação.
Me entreguei de corpo e alma, contei essa história com muita verdade. Estudei inúmeras referências, ouvi músicas, mergulhei em memórias, chorei e vivi cada detalhe do processo. Sou muito grata em poder colocar minha arte para honrar a história de tantas mulheres.
Mais sobre Thati Soares:
Teatro – “Musical O Rei do Show” , Pers.: “Charity” , Dir.: Grazi Luz , 2025 , Teatro dos Grandes Atores , FazArt Produções Artísticas
Teatro – “Peça Terror e Miséria no 3º Reich” , Dir.: Fernando Nisch , 2022 , Celia Helena , Obs.: Peça de teatro por Bertolt Brech
Cinema – “Curta Metragem – I Hear a Symphony” , Pers.: “Mari” , Dir.: Nathalia Ehl , 2022
Teatro – “Peça de Adaptação dos Contos de “Estórias Abensonhadas” de Mia Couto” , Dir.: Luana Freire , 2021 , Teatro Viradalata , Celia Helena Centro de Artes e Educação
Teatro – “A Visita da Velha Senhora” , Pers.: “Claire” , Dir.: Fernando Nitsch , 1964 , Celia Helena Centro de Artes
Teatro – “Peça O Circulo de Giz Caucasiano” , Pers.: “Gruche” , Dir.: Adriano Garib , 2022 , Celia Helena , Obs.: Interpretação personagem principal Gruche. Peça teatral por Bertolt Brecht
Vídeos
Referências:
Elenco Digital
https://elencodigital.com.br/ThatiSoares
Instragram
https://www.instagram.com/thatisoares


