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quarta-feira, maio 25, 2022

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Alita: Anjo de Combate

Foi uma surpresa e tanto descobrir que hollywood estava fazendo uma versão em filme do quadrinho japonês que foi hit nos anos 90, Battle Angel Alita (Gunm, no original, algo como “arma dos sonhos” em tradução livre), criado por Yukito Kishiro. O primeiro trailer causou curiosidade e apreensão: seria essa mais uma adaptação frustrante de mangá para cinema americano? Após assistir ao filme, porém, todas as dúvidas se dissipam: Alita é uma obra de arte.
É interessante ressaltar que a história original, mesmo tendo quase 30 anos, trata de assuntos ainda muito pertinentes, sendo o principal questionamento: “O que é a verdadeira humanidade?”
Com uma ambientação steampunk em um cenário futurista, a espécie humana ainda enfrenta problemas similares aos atuais, porém sob uma perspectiva cibernética. Nesse ambiente, o professor Ido encontra o tronco ainda vivo de uma ciborgue no lixão de Cidade da Sucata e, percebendo que a jovem ainda está viva, realiza uma conexão com o corpo que ele havia criado para outra pessoa. A partir daí, Alita acorda sem lembranças e passa a viver uma jornada de autoconhecimento, descobertas e, principalmente, de desenvolvimento ético.
O filme é extremamente ambicioso, não apenas por adaptar uma história baseada em mangá, mas por fazer isso priorizando a história ao invés de interesses comerciais. Filmes são financiados por investidores que visam retorno em lucros com licenciamento, geralmente, com a venda de produtos e brinquedos. Com frequência, filmes que são considerados “arriscados demais” comercialmente sofrem cortes e adaptações para que sejam aprovados e produzidos, ou correm o risco de ser descartados ainda no papel. Temos o exemplo do filme antecessor a Alita: o também adaptado de mangá, Ghost in the Shell, que teve parte essencial de sua história e a identidade da personagem principal modificadas para que Scarlet Johanson pudesse interpretar o papel sem que a personagem destoasse da etnia da atriz, e assim “Major Motoko Kusanagi” virou “Mira”, um nome mais aceitável para uma americana e bem menos aceitável pelo filtro de qualidade dos fãs. Por querer escalar uma atriz conhecida e atrair público ao filme, os produtores conseguiram o efeito contrário: afastar parte do público que já era fá da história. Vale ressaltar que nada disso é culpa da atriz: a decisão foi comercial e, portanto, muito anterior a atuação dela. Scarlet fez seu melhor e tem seu crédito.
Alita, por sua vez, ousou em muitos aspectos e não ficou tão preso a amarras comerciais. Apesar do foco excessivo no drama entre a personagem principal e Hugo, há muitos pontos positivos que compensam esse leve desnível. A começar pela estética adotada para a personagem principal, interpretada por Rosa Salazar em captura de movimentos e posteriormente modificada em computação gráfica, a pequena e mortal Alita ficou carismática, adorável e extremamente crível. Zapan e outros personagens também modificados por computação gráfica estão visualmente deslumbrantes. As cenas de ação alucinantes e impecáveis dão ao expectador um verdadeiro show. Com um roteiro completo incluindo mistério, aventura, romance, ficção científica e muita ação, o filme tem tudo para agradar quem estiver disposto a viver a experiência.

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