OFO: Uma solução brilhante ou loucura tecnoloógica arrogante?

OFO: Uma solução brilhante ou loucura tecnoloógica arrogante?

Vivaldo José Breternitz (*)

Dai Wei fundou a Ofo, uma empresa de aluguel de bicicletas, em 2014, quando estudava na Universidade de Pequim. Cidades como Nova York, Londres e Paris já tinham programas de aluguel de bicicletas por períodos curtos, mas os usuários desses programas tinham de devolver as bikes às plataformas fixas. A Ofo acreditou que, se equipasse bicicletas com GPS e cadeado digital, os usuários poderiam usar celulares para alugá-las e deixá-las em qualquer ponto da cidade, sem precisar dirigir-se a plataformas fixas, aumentando assim a comodidade e consequentemente, o número de clientes.

A empresa cresceu de forma espetacular; choveram investimentos. Gigantes, como Alibaba e Didi Chixing, apostaram nela; a startup chegou a levantar US$ 2,2 bilhões, segundo o portal Crunchbase. Mas em breve começaram a chegar os problemas: dezenas de imitadores surgiram, cobrando preços menores. A pressão financeira também chegou: seu modelo de negócio, o mesmo adotado por muitas empresas de tecnologia chinesas – gastar furiosamente para conquistar clientes e só depois preocupar-se com o lucro – começa a mostrar seus limites.

Já há uma fila de 12 milhões de clientes usando o aplicativo da empresa para conseguir de volta os depósitos antecipados que fizeram para poderem usar as bikes; são valores que geralmente oscilam entre US$ 15 e 30. A empresa postou uma mensagem em rede social, dizendo “Tenham um pouco de paciência. Prometemos que os depósitos serão devolvidos segundo procedimentos apropriados. Pedimos a todos que não se preocupem” – a declaração parece que só fez aumentar as preocupações.

Dai Wei admitiu que a empresa está em dificuldades financeiras. “Pensei inúmeras vezes em cortar investimentos para pagar dívidas com fornecedores e parte dos depósitos, e até em pedir falência”, escreveu em mensagem aos clientes; essa possibilidade parece cada vez mais real, pois a empresa está proibida de levantar empréstimos.

O caso da Ofo nos leva a perguntar se seu produto seria uma solução não poluente e brilhantemente simples para o problema do congestionamento urbano ou mais uma arrogante loucura tecnológica bancada por capitais de risco? Fotos disponíveis na internet, mostrando milhares de bikes da Ofo abandonadas em um terreno baldio na província de Henan, contribuem para que acreditemos que a segunda hipótese é verdadeira…

(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Sobre o Mackenzie
A Universidade Presbiteriana Mackenzie está entre as 100 melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação.

Informações
Assessoria de Imprensa Universidade Presbiteriana Mackenzie
imprensa@mackenzie.br

 

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