Pivô lança sala de projetos pensada para a internet

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Pivô lança sala de projetos pensada para a internet

Em sua primeira edição, plataforma digital terá curadoria de Diane Lima
 
Pivô lança sala de projetos pensada para a internet
 

Rebeca Carapiá (BA), biarritzzz (PE), Diego Araúja (BA) e Raylander Mártis dos Anjos (MG) são os artistas selecionados para o Pivô Satélite #1 e irão participar da exibição virtual Os dias antes da quebra, com curadoria de Diane Lima. “Os dias antes da quebra é uma exposição que sugere um movimento de retorno para o que estava sendo previsto, especulado e denunciado antes da pandemia, por um grupo de artistas racializades e dissidentes com vasta experiência em adiar a iminência das suas próprias quebras”, explica a curadora. A plataforma digital entra no ar no dia 24 de julho com a instalação “Para-raios para energias confusas”, de Rebeca Carapiá.

O Pivô Satélite é uma espécie de sala de projetos dentro do site do Pivô. Seu programa é concebido por artistas e curadores convidados pela instituição e compreende propostas artísticas em formatos variados, pensadas especialmente para os meios digitais. Nos próximos meses a plataforma apresentará trabalhos de 12 artistas selecionados por 3 jovens curadores brasileiros. Cada curador indicará quatro artistas para ocupar esta sala de projetos digital com propostas individuais, durante um mês.

A instalação “Para-raios para energias confusas”, de Rebeca Carapiá, que inaugura o projeto no dia 24 de julho, é composta por esculturas, vídeo e arquivo PDF. Relacionando modelagem 3D, ferro e cobre, a obra simula em sua performance um guia de montagem como estratégia de emancipação coletiva e espiritualidade. Carapiá se interessa pelas relações produzidas entre a linguagem, o conflito, o corpo e o território. A artista cria, através de esculturas, desenhos, instalações, gravuras, textos e objetos, uma cosmologia em torno dos conflitos das normas da linguagem e do corpo, além de ampliar um debate geopolítico que envolve memória, economias da precariedade, tecnologias ancestrais, dissidências sexuais e de gênero e as relações de poder entre o discurso e a palavra.

O objetivo do Pivô Satélite é contribuir para a criação de uma rede de apoio à comunidade artística brasileira em um momento adverso. Para desenvolver o conteúdo a ser veiculado pelo Pivô Satélite, os 12 artistas contarão com a estrutura das equipes de produção e comunicação do Pivô, a interlocução dos curadores convidados e receberão uma bolsa de auxílio à produção. Os projetos terão caráter experimental, e poderão assumir vários formatos e durações, sem restrições quanto ao tipo de mídia ou tema, tendo sido solicitado apenas que não implicassem nenhuma forma de quebra às medidas de isolamento social vigentes.

Os colaboradores deste programa foram convidados segundo critérios que levam em conta a relevância e qualidade de suas pesquisas artísticas, além da diversidade de identidades presentes no Brasil – de gênero, étnico-racial, regionalidade, contexto social e cultural. Ao consolidar este programa, o Pivô espera reunir um grupo consistente e plural de novas vozes atuantes no cenário artístico brasileiro, em um momento premente de nossa história.

Mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, a curadora Diane Lima explora práticas curatoriais contemporâneas em perspectiva decolonial. Atualmente ela integra a equipe curatorial da 3ª edição de Frestas – Trienal de Artes do SESC-SP e, desde 2018, assina a curadoria do Valongo Festival Internacional da Imagem.

Para viabilizar o programa o Pivô reuniu, em colaboração com os mantenedores da instituição Georgiana Rothier, Bernardo Faria e Ticiana Terpins Strozenberg, um grupo especial de apoiadores aos quais agradecemos imensamente: Alan Terpins, Antônia Bergamin, Antônia de Sá Cavalcante Borges, Camila Yunes Guarita, Catherine Petitgas, Coleção Coletiva, Denise Terpins, Fabiana Sonder, Fabiano Al Makul, Felipe Dmab, Frances Reynolds, Heloisa Genish, Iris Kaufmann, Maria do Mar Guinle, Mariana Clayton, Monica Bouqvar, Paula Macedo Weiss e Daniel Weiss, Simone Coscarelli Parma e Alejandro Parma, Susana e Ricardo Steinbruch. 25/22

Serviço

Pivô Satélite
Lançamento: 24 de julho de 2020, com a instalação “Para-raios para energias confusas”, de Rebeca Carapiá, curadoria de Diane Lima
www.pivo.org.br/satelite

Sobre a artista

Rebeca Carapiá nasceu na cidade baixa, Salvador-Bahia. Artista visual formada pela Universidade Federal da Bahia, se interessa pelas relações produzidas entre a linguagem, o conflito, o corpo e o território. A partir da experiência e cotidiano no bairro do Uruguai, espaço que a constitui como artista, vem criando e organizando um conjunto de práticas e reflexões através de diferentes plataformas de exibição, formação e experimentação artística, visíveis e invisíveis ao circuito da arte contemporâneo. A artista cria através de esculturas, desenhos, instalações, gravuras, textos e objetos uma cosmologia em torno dos conflitos das normas da linguagem e do corpo, além de ampliar um debate geopolítico que envolve memória, economias da precariedade, tecnologias ancestrais, dissidências sexuais e de gênero e as relações de poder entre o discurso e a palavra. Performando a desconstrução das geografias dos femininos, recorre a experiência com serralheria e materialidades como o cobre e o ferro para confrontar os discursos hegemônicos da arte e da política.

Sobre a curadora

Diane Lima é curadora independente, crítica e pesquisadora. Mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, seu trabalho consiste em experimentar práticas curatoriais contemporâneas em perspectiva decolonial. Atualmente integra a equipe curatorial da 3ª edição de Frestas – Trienal de Artes do SESC-SP e desde 2018 assina a curadoria do Valongo Festival Internacional da Imagem. Entre seus principais projetos destaca-se a idealização do programa de arte-educação AfroTranscendence; a curadoria entre 2016 e 2017 do programa de exposições Diálogos Ausentes do Itaú Cultural e a participação em 2018 no Grupo de Críticos de Arte do CCSP. Em 2019 foi co-curadora da Residência PlusAfrot e da exposição coletiva Lost Body – displacement as choreography ambos projetos ocorridos em Munique-Alemanha. Jurada de diversas comissões de seleção e premiação, é docente da Especialização em Gestão Cultural do Itaú Cultural e editorialmente trabalha na co-curadoria de duas publicações de arte contemporânea, uma pela Act. e outra pela editora francesa Brook, ambas no prelo.

Sobre o Pivô

Fundado em 2012, o Pivô é um espaço de arte autônomo que oferece uma plataforma para a experimentação artística e o pensamento crítico de artistas, curadores, pesquisadores e público em geral. O programa é composto por exposições, residências, palestras públicas e publicações de artistas locais e internacionais. A instituição já realizou mais de 150 residências nos últimos anos e os recentes comissionamentos incluem os artistas Katinka Bock, Eduardo Navarro, Erika Verzutti, Mário Garcia Torres, Letícia Ramos, Rodrigo Hernandez e a mostra coletiva “imannam” de Ana Maria Maiolino, Ana Linneman e Laura Lima. Devido à pandemia de covid-19, o Pivô suspendeu por tempo indeterminado todas as atividades públicas realizadas em sua sede no edifício Copan. Parte da programação foi adaptada para o ambiente digital, a exemplo do programa de residências Pivô Pesquisa que vem sendo conduzido em modo remoto.

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